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Rio em crise: organizar pela base um movimento dos trabalhadores e da juventude contra os ajustes

O estado do Rio de Janeiro está passando por uma crise profunda que têm conseqüências na vida da classe trabalhadora e da juventude fluminense. Desde o final de 2015 o governo Pezão (PMDB-RJ) tem realizado um pacote de ajustes com cortes na saúde, educação e nos salários dos trabalhadores do funcionalismo público, em um cenário de crise econômica e política pelo o qual vem passando o país.

sexta-feira 8 de janeiro de 2016| Edição do dia

Foto: O Globo/ Fila de espera para atendimento no Hospital Albert Schweitzer

As finanças do estado do Rio de Janeiro dependem dos royalties do petróleo, mas a crise da Petrobras com o escândalo da Lava Jato tem comprometido a economia do estado e quem está pagando por isso é a classe trabalhadora e a população. São milhares de demissões no setor metalúrgico da indústria naval, assim como a falta de verba e parcelamento de salários e décimo terceiro, cortes na educação, como os 46% para as universidades estaduais, e a saúde, que está em uma situação calamitosa. Já não é mais novo o fato dos trabalhadores terceirizados ficarem meses com os salários atrasados e sem receber o vale-transporte.

Ao mesmo tempo, que, a segunda capital do país se prepara para as Olimpíadas com obras caríssimas que beneficiam os empresários, como a Cidade Olímpica e o Museu do Amanhã, e aumenta o orçamento para propagandas e publicidades em relação ao ano de 2015 gastando R$ 53 milhões, grandes hospitais estão sendo fechados, como o Getúlio Vargas, na Zona Norte do, ou tendo suas administrações transferidas para o município, como ocorreu com os hospitais da Zona Oeste.

Enquanto o governo paga R$ 40 milhões para pagar a dívida da Supervia com a Light, vários municípios do estado estiveram sem energia, como bairros de Magé, que tiveram um apagão durante quatro dias no final do ano.

Em meio a isso tudo, no final do ano passado, a juventude universitária da UERJ protagonizou uma ocupação e greve estudantil contra os cortes e pelo pagamento das bolsas e dos salários dos terceirizados, mas a o DCE ligado à UNE governista tentou a todo momento frear o avanço da luta em conciliação com a reitoria, e contra a possibilidade do único setor naquele momento que estava em luta poder dar um exemplo de unidade com os trabalhadores e a juventude precarizada para enfrentar os ajustes. E a esquerda também não foi capaz de dar uma resposta à altura. As direções do movimento estudantil ligadas ao governo Dilma não vão levar adiante a luta contra os ajustes, pois defendem a “pátria educadora” que corta e precariza a educação, e no Rio são aliados da ala pemdebista contra o impeachtment que se encontra o governo Pezão. Falam contra os cortes, mas não podem levar esta luta pra valer.

Várias categorias de trabalhadores estão sofrendo com a incerteza dos salários e agora prejudicados com a nova data de pagamento de cada mês. Mexem com nosso salário, cortam da saúde e da educação e quem fica no sufoco são os trabalhadores e a juventude. E já está pesando no bolso o aumento da passagem de ônibus, e este mês ainda está previsto aumentar o valor das barcas, do trem e dos ônibus intermunicipais.

A CUT e CTB, burocracias sindicais aliadas do governo, não dão respostas contra as demissões e os cortes que estão ocorrendo no estado e município, como o Sindicato dos Metalúrgicos do Rio de Janeiro e de Niterói, que não impulsionou nenhuma luta contra as demissões dos metalúrgicos, ou que na UERJ, através do Sintuperj(dirigido pelo PCdoB), não defende a unidade com os terceirizados, fazendo com que esses se mantenham refém da burocracia patronal.

Enquanto isso, a esquerda que poderia se colocar na linha de frente em um grande movimento contra os ajustes no Rio de Janeiro, como o PSOL, encontra-se ao lado do governo, que aplica os ajustes, na Frente Povo Sem Medo, e não coloca suas forças para unificar as categorias a partir dos sindicatos que dirige, como o Sepe, Sindsprev, Sintuff, e entidades estudantis, para construir um plano de luta para enfrentar esses ajustes e a corja dos políticos que governam para os empresários enquanto falta dinheiro para saúde, educação, aumentam os transportes e a população está morrendo nas filas dos hospitais.

É urgente uma resposta política independente em que a classe trabalhadora e a juventude entrem em cena e sejam sujeito de um movimento nacional contra os ajustes, que no Rio se desse a tarefa de responder as questões sociais que estão sendo cortadas, aprofundando a precarização não só do trabalho, mas da vida, como temos visto mortes por falta de atendimento nas filas dos hospitais, a falta de salários e os cortes na educação.

Um movimento que levante um programa contra as demissões, a precarização e cortes dos serviços públicos e a corrupção que mantém os privilégios de altos funcionários públicos e políticos. Defendendo a estatização dos transportes públicos sob controle dos trabalhadores e usuários, assim como a estatização de todos os hospitais sob controle dos trabalhares da saúde e dos usuários e a efetivação de todos os terceirizados sem concurso público. E que denuncie este regime podre que só beneficia os ricos e para isso lute contra os privilégios dos políticos defendendo que todo político e alto funcionário público ganhe igual a uma professora! Fim dos cargos comissionados e de todos os privilégios e verbas de representação! Revogabilidade de todos os cargos e mandatos públicos!
Queremos o dinheiro dos trabalhadores e dos serviços públicos que essa casta política usurpa para garantir os serviços públicos e os que realmente trabalham para servir o público!

Os parlamentares do PSOL no Rio, tanto deputados estaduais como Marcelo Freixo, como deputados federais como Chico Alencar, também poderiam usar seu cargo para colocar esta idéia à frente chamando a necessidade da unificação da classe trabalhadora e da juventude para a construção deste movimento conta os ajustes, que convoque dias de paralisações a partir dos sindicatos e entidades estudantis e exigisse da burocracia a construção destas paralisações com grandes atos e cortes de rua pela cidade. Que estes parlamentares se colocassem à frente de convocação de ações como estas lhes ajudariam em visibilidade, porém esta não é a perspectiva que atuam, fazendo, quando muito, pronunciamentos sobre algum tema. Mas ao contrário disso, preferem prestar serviço para o PT defendendo o governo Dilma contra o impeachtment e sendo porta-voz da Frente Povo Sem Medo. Não colocam seus mandatos à serviço da construção destas mobilizações necessárias.

Além dos parlamentares as dezenas de sindicatos que a esquerda dirige ou influencia poderiam e deveriam cumprir um papel muito superior nesta terrível crise que assola a classe trabalhadora do estado. Não basta atos isolados um dia ao mês contra tamanho ajuste, é preciso um grande movimento, sair da rotina das data-base. Em todos os locais, mesmo com direções governistas como em bancários e petroleiros, a classe trabalhadora respondeu fortemente a qualquer tentativa de barrar os ajustes. É preciso desenvolver a crítica aos ajustes que tomam cada local de trabalho em militância por um grande movimento.

Neste momento que ocorre o aumento das passagens, é fundamental que a esquerda coloque todo seu peso e discuta nas bases estudantis e de trabalhadores a necessidade de unificar com a juventude precária e o conjunto da população para fazer uma grande luta contra o aumento das passagens e contra os ajustes, participando dos atos e defendendo a estatização dos transportes sob controle dos trabalhadores e dos usuários. É preciso se inspirar na luta do jovens secundaristas do estado de SP que auto-organizados lutaram em defesa da educação pública e derrotaram o governo do estado de SP. Apenas com esta política independente e que faça com que a juventude e classe trabalhadora se organize e saia em luta de maneira unificada, fazendo com que os trabalhadores tomem para si a defesas dos serviços públicos que atinge as camadas mais pobres e precarizadas da classe e do povo, será possível enfrentar os ajustes e os governos.




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